As Hostingerianas Corajosas: Histórias de Resistência de Três Mulheres Ucranianas
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As Hostingerianas Corajosas: Histórias de Resistência de Três Mulheres Ucranianas

Queremos dedicar o mês de março para contar histórias inspiradoras sobre mulheres fortes. O mundo se move muito mais rápido do que nossos planos, e agora temos de encará-lo de um outro ângulo. Estamos aqui para contar as histórias de três mulheres ucranianas que lutam para sobreviver no maior conflito armado da Europa desde a Segunda Guerra. São relatos de três jovens ucranianas (e funcionárias da Hostinger, por isso as apelidamos “Hostingerianas”) que enfrentam o perigo e a incerteza diariamente. Para proteger a identidades delas, usaremos apenas os seus primeiros nomes.

Yuliia

Yuliia trabalha na equipe de Sucesso do Cliente da Hostinger há mais de 4 anos. Sua dedicação e resultados surpreendentes impulsionaram o crescimento de Yuliia na empresa: desde setembro de 2021 ela trabalha como Especialista em Treinamento de Agentes de Sucesso do Cliente. Porém, as últimas semanas viraram a vida de Yuliia de ponta-cabeça: ela se encontrava no meio de uma zona de guerra. Yuliia vive em uma realidade controlada pelo soar das sirenes. Manter a fé e a esperança é crucial para a sobrevivência.

A Vida Sob o Controle de Sirenes

“Não tenho palavras para descrever como a minha rotina matinal/diária é porque está tudo concentrado em um só lugar… Hoje, as nossas vidas giram em torno de sirenes. Quando ouvimos o som das sirenes, temos até 10 minutos para ir até o abrigo mais próximo. Até onde eu sei, elas começam a soar 10 minutos antes de um possível ataque. Estou na casa de amigos, e o nosso recorde de sono profundo (se é que podemos chamar de profundo) é de 5 minutos até entrarmos em um abrigo. A essa altura, quase todos os sons que ouvíamos pareciam sirenes distantes. Até as notificações de um aplicativo oficial da cidade aparecem com o soar das sirenes. A parte mais difícil é que nós nunca sabemos quando e por quanto tempo o próximo alarme irá tocar. Um deles tocou bem no meio do nosso café da manhã — tivemos que deixar nossos pratos cheios de comida e correr.”.

Abrigos em estacionamentos, porões e estações de metrô

“Normalmente, os abrigos são muito frios. Agora mesmo eu estou vestindo um moletom de Black Friday da Hostinger (o que tem um astronauta). Ele me mantém quentinha. A maioria dos abrigos fica em porões, estacionamentos subterrâneos e estações de metrô. Já fiquei em todos os tipos de abrigos. O estacionamento subterrâneo é provavelmente a melhor opção para abrigo, pois tem pisos de concreto, tetos altos e — essa é a melhor parte — é bem debaixo do nosso apartamento. Não precisamos sair. Só descemos as escadas e chegamos. Meus pais não tiveram tanta sorte: o abrigo mais próximo de onde eles moram está quase todo alagado.”

Seguindo em frente com humor e esperança

“Pode parecer clichê, mas nosso exército e o nosso presidente nos mantêm esperançosos. Sinceramente, eu nunca achei que pudéssemos ser tão fortes e determinados. É inspirador ver como estamos unidos e firmes. É também reconfortante ver o apoio internacional que estamos tendo e as sanções impostas à Rússia — cada vez mais, mais países estão se fechando para o governo russo —. E, apesar de tudo, mantemos o nosso senso de humor. Vemos muitos memes e charges sobre pessoas ciganas roubarem um tanque russo, pessoas sem teto pegando garrafas para coquetéis Molotov, e um senhor de idade roubando um BMP (um veículo russo blindado para transporte de tropas) com um trator. Temos apoio psicológico de todo o mundo. Pessoas do mundo todo estão dizendo, em alto e bom som, que estão do nosso lado. E eu amo a Hostinger pelo que ela tem feito, de verdade. Eu não preciso me preocupar com o trabalho e pensar tipo “e se eu perder meu emprego se essa guerra durar muito?” porque eu sei que não vou perdê-lo. Isso é acolhedor e reconfortante.”

Katerina

Katerina, uma jovem tradutora nascida na cidade de Kiev, nunca imaginou que uma guerra aconteceria. No dia 24 de fevereiro, as forças russas invadiram a Ucrânia e desde então vêm espalhando o caos. Mas todos os 44 milhões de ucranianos preservaram a sua dignidade enquanto lutavam incansavelmente contra os invasores.

“Não há música, não há café na manhã em nenhuma das cafeterias 3rd Wave, não há encontros e nem brunches, não vemos filmes e nem stand-ups. Os sorrisos são raros e sequer ouvimos gargalhadas. Mulheres estão dando à luz em bunkers. Estradas, casas, museus, universidades, tudo está sendo destruído. Estamos vivendo um verdadeiro despertar nacional. É uma loucura, incontrolável e perturbador”, relata Katerina.

Atitudes falam mais que palavras

Katerina conseguiu escapar de Kiev e fugir para uma cidade mais segura onde ela ainda pode ajudar seu país. Para os ucranianos em fuga, o trabalho voluntário é a melhor forma de apoiar a resistência. Os voluntários ucranianos estão fazendo redes de camuflagem, compartilhando informações e bloqueando contas que endoçam a violência nas redes sociais. Katerina diz que ver a ajuda dos estrangeiros nesse momento tem tocado muito o coração de todas as pessoas que estão lutando pelo seu país.

“Atitudes falam mais que palavras, ainda mais hoje. Eu sou grata a todas as pessoas que têm a coragem e consciência para agir, falar, acolher os refugiados e buscar auxílio humanitário. Eu sou grata à minha equipe que tem sido extremamente empática desde o primeiro dia. Me faltam palavras para expressar o quanto eu sou grata por nossas Forças Armadas e por cada alma ucraniana. É uma avalanche de emoções, mas agora não é hora para elas. É hora de agir para vencer.”.

Uma realidade momentânea

“Eu estou com medo, mas estou calma. Não vou deixar minhas emoções me tirarem a sanidade. Minha bisavó fez 90 anos em janeiro e ficou em Vorzel, uma cidade em que um orfanato, casas de civis e uma estação de trem foram destruídos. Minha mãe e minha tia deixaram a cidade duas horas antes de a ponte para a minha cidade natal ser destruída. Meus amigos ficaram em Kiev, Kharkiv, Bucha, Iprin, e Chernihiv. Meu padrasto levou minha família de volta para Irpin, onde mísseis estão destruindo tudo à minha volta. Tento não deixar minhas emoções tomarem conta de mim pelo bem dessas pessoas. Pelo bem de amigos, colegas e parentes espalhados pelo mundo, que estão preocupados, que nos apoiam e querem nos ver sãos e salvos. Não estou exagerando. Não é drama. Isso aqui é a realidade em que VIVEMOS MOMENTANEAMENTE. Logo tudo isso passará. Não temos luz durante a noite (por questão de segurança), mas temos luz em cada coração ucraniano. É isso que nos une, que nos guia para a liberdade e a justiça.”

Olha

Naquela trágica quinta-feira, Olha estava se preparando para mais um dia na Hostinger, onde trabalha como Assistente de SEO. Ela estava feliz naquele dia, pois tinha conseguido ingressos para um show e na sexta-feira havia planejado uma noite de jogos. Mas seus planos foram interrompidos. Ao mesmo tempo que ela fazia sua rotina matinal, mísseis russos eram lançados em solo ucraniano, um deles atingindo a Base Aérea Militar próxima ao local onde Olha mora.

Um Segundo Pode Custar uma Vida

“Admito que tenho sorte de morar em uma das regiões mais seguras da Ucrânia. Mesmo que, às vezes, as instalações militares daqui sejam alvo dos sabotadores. Agora temos toque de recolher. Algumas vezes ao dia, alarmes de ameaça aérea disparam para que a gente procure refúgio em banheiros e abrigos antiaéreos. Podemos considerar que os civis estão um pouco mais seguros comparados a algumas regiões onde os russos têm casas e infraestruturas civis em sua mira.  É muito difícil ver as nossas cidades e comunidades sendo destruídas. Todas as vezes que os vejo matando pessoas inocentes e crianças, eu choro. Eles lançam mísseis em jardins de infância, orfanatos, prédios, hospitais, ruas e praças. Também atiram em ambulâncias. As estações de trem estão lotadas de refugiados. Sei que nossas tropas não permitirão que o exército russo avance mais. Para os russos, só resta a opção de voltarem para casa. Mas isso leva tempo. E, infelizmente, um segundo perdido pode custar muitas vidas. É por isso que pedimos a ajuda de nossos amigos e parceiros. Precisamos que fechem os céus da Ucrânia para que possamos agir mais rápido em terra”.

Lutando Contra a Falta de Informação

“Estamos nos voluntariando para ajudar o exército e os refugiados. Somos a linha de frente na guerra contra a desinformação. Queremos que notícias reais sejam espalhadas para que a população russa possa ser convencida a parar a guerra. Mas, infelizmente, a maioria deles vive em uma bolha. Estão dizendo que a Rússia está lutando contra um governo ucraniano nazista e que estamos recebendo o exército russo com um sorriso no rosto. As notícias não falam o motivo real do ataque cometido pela Rússia à Ucrânia e nem que seus soldados vieram para matar e serem mortos. É nisso que muitos russos acreditam. Muitos deles decidiram ficar neutros, pois não acreditam em nenhum dos lados”.

Uma Guerra que Ninguém Previu

“Houve apenas rumores de que a Rússia atacaria a Ucrânia. Até o último momento era difícil acreditar que eles começariam uma guerra dessa proporção contra a nação ucraniana. A guerra foi declarada 8 anos atrás quando suas tropas entraram oficialmente na Crimeia e alguns dias depois foram enviadas de forma não oficial para Donetsk e Luhansk. Nós estávamos lutando na parte leste da Ucrânia. E nunca iríamos imaginar que eles atacariam o país inteiro. Foi o maior erro que o governo russo já cometeu. Suas ações estão tendo efeitos contrários aos pretendidos. Os ucranianos nunca estiveram tão fortes e unidos como agora. E não apenas nós, ucranianos, mas o mundo todo está ao nosso lado. E hoje, defendemos os mesmos valores universais: paz, liberdade e dignidade”.

Suporte Global

“Eu vejo todo o apoio que as pessoas de diversas cidades do mundo estão dando a Ucrânia. Leio os tweets de outros países europeus e até dos Estados Unidos, que também estão nos ajudando através do voluntariado. Muitos estrangeiros fornecem abrigo às ucranianas que fugiram com os seus filhos. Estão enviando muita ajuda financeira, humanitária e militar ao povo ucraniano, e sanções estão sendo impostas à Rússia. Tenho recebido mensagens de apoio e suporte de muitos amigos e colegas de diferentes países. Me sinto acolhida. Todos aqui sentem o mesmo. E somos muito gratos por tudo. É isso o que nos mantém otimistas. Isso e tudo o que descrevi até aqui, além de mantermos o nosso senso de humor, não queremos perdê-lo nem nas horas mais sombrias”.

Atentos, Fortes e Unidos.

“Fico triste que uma guerra precisou acontecer para que a gente acordasse. Por outro lado, estou feliz em ver que nosso povo luta com lealdade e isso me dá esperança. Lutamos não apenas para proteger nosso país dos invasores, mas para proteger os valores europeus, os valores universais e o mundo inteiro. Porque sabemos que se não fizermos dele um lugar seguro, ele nunca será. Por isso, espero muito que o restante do mundo continue nos apoiando. Todos que acreditam na verdade, que nos enviam ajuda, que fazem seus governantes ouvirem. Agora é o momento para tomar as decisões certas. Acredite, não há tempo para hesitações e incertezas quando nossos inimigos chegam em nossa casa. É melhor mantê-los longe do seu quintal”.

Nenhum de nós é realmente capaz de entender pelo que essas jovens ucranianas estão passando. E essa “realidade momentânea” deixará feridas que jamais cicatrizarão. Queremos agradecer a Yuliia, Katerina e Olha por falarem abertamente sobre esse momento tão delicado e por demonstrarem otimismo em relação ao futuro. Estamos orgulhosos da força, coragem e persistência que estas jovens irradiam. Vamos continuar unidos, oferecendo ajuda financeira (Cruz Vermelha, Save Life e outros), assistência às pessoas refugiadas e espaço para que mais histórias ucranianas sejam ouvidas.

Caso tenha alguma outra ideia sobre como a Hostinger pode ajudar ou tenha alguma dúvida, entre em contato com a gente pelo e-mail: standwithukraine@hostinger.com.

O autor

Author

Bruna Vidanya / @brunadutra

Bruna Vidanya é estudante de Letras Tradução Inglês na Universidade de Brasília, e trabalha como tradutora na Hostinger Brasil. Já estagiou como tradutora no Senado Federal e teve sua primeira tradução de um livro infanto-juvenil publicada pela Livraria Senado Federal. É apaixonada por tecnologia e agora demonstra sua paixão escrevendo artigos para o blog da Hostinger com muito carinho. Nas horas vagas, Vidanya ama ficar com seus dois cachorrinhos, Madonna e Snoop, ver séries (as sitcoms são suas favoritas). Um fato curioso sobre a autora: seu primeiro bichinho de estimação foi um galo Garnisé, chamado Chico Liro.

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